Qual o legado que a dita Copa das Copas, trará para o Brasil a partir do dia 13/07/2014, quando no "novo Maracanā", se encerrar o mundial mais caro da história? Aliás essa organizaçāo que já "arrecadou" mais de R$ 28 bilhões - que podem chegar a R$ 33 bilhões, com 85,5% de dinheiro público- dará algum retorno ao povo brasileiro?
Essas sāo perguntas que nāo se tem a capacidade de responder por ora, pois imagina-se sempre num retorno após algum "mega evento", e que as obras de mobilidade urbana, segurança, urbanismo planejado mantenham-se para a sociedade. Entretanto alguns pontos para a organizaçāo do mundial de 2014 podem e devem, ser discutidas.
Será que era a hora de o Brasil sediar a Copa? Nāo que o país nāo tenha tal capacidade, mas nāo seria melhor ''arrumar" melhor a casa? Os avanços dos últimos 10 anos,tais como a geraçāo de empregos, inclusāo social, crescimento da expectativa e confiança na economia, nāo repercutiram o mesmo efeito nas necessidades básicas do cidadāo, que sāo investimentos na saúde e cuidado para educaçāo de base.
O país teve um aumento na sua receita, com isso, esperava-se um retorno mais eficiente e rápido para essas áreas de maior demanda do povo. Houve um maior investimento dos governos do PT em comparaçāo a governos anteriores ( pode-se confirmar isso ao analisar os dados apresentados pelo portal Transpareência Brasil) ,todavia ainda é muito pouco quando se investe apenas 4% em Saúde e , agora, 10% em Educaçāo. Poderia ter economizado o que foi destinado à Copa e aumentando tal orçamento. O Governo Federal apenas transfere o capital para que os Governos Estaduais e Municipais - aí sim - destinem para as propostas áreas o que se entende como "pacto federativo".
O pacto também exige do Governo Federal fiscalizaçāo do dinheiro público repassado, o que nāo vem acontecendo, pois se vê tímidas melhorias. Quando se tem uma independência deste nefasto "pacto federativo'', veem-se alguns bons programas emergencias, o ''Mais Médicos", ''PROUNI ( Programa Universidade para todos)", ''FIES ( Fundo de Financiamento Estudantil)" ,PRONATEC ( Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego)" e as bolsas sociais. Mas isso é um outro assunto, a mudança em cima e nāo na base da pirâmide...
As manifestações de junho deixaram claro que a populaçāo reivindicava melhorias no ''padrāo Fifa", justamente por todo esforço dos governos em atender às exigências da Fifa. Aliás, as medidas que a maior organizaçāo exige são o cúmulo do absurdo. A começar pela ruptura de história e essência que os torcedores brasileiros possuíam com seus estádios, leia-se arquibancada. Para Copa e posterior a ela, o modo como o brasileiro vai torcer será diferente. Esqueçam bandeiras, assistir ao jogo em pé e festa genuinamente brasileira nos estádios, ou arenas como gostam de chamar ( mesmo que a ideia se tinha por estádio tenha-se perdido, particularmente ainda prefiro chamar de estádio do que arena, que nos remete a um antigo partido, ou grupo político brasileiro). Os organizadores estudam a possibilidade de multar quem xingar ou tirar a camisa durante um jogo. Querem transformar os torcedores em lordes ingleses, o que por enquanto, e ainda bem, nāo sāo.
O maior desgaste da imagem da FIFA frente aos brasileiros é a afronta aos direitos humanos que a entidade vem cometendo para garantir o ''sucesso" do mundial. Exigir que moradores percam seu direito primordial, que é a moradia, para construir estacionamento é o maior dos pecados impostos ao povo. Acontece em todo país a perda do lar em detrimento de obras para a Copa, entretanto esse caso específico, o da construçāo de um estacionamento, é a realidade da comunidade Metrô/Mangueira nas redondezas do Maracanā, na cidade do Rio de Janeiro.
Os lucros dessa Copa estāo indo - até o momento- para políticos, empresários e a difusas empreiteiras. Além das patrocinadoras do mundial. Como foi dito lá em cima, espera-se um retorno para o povo, pois até o momento o legado Copa está sendo bom apenas para os poderosos.
Matheus Fernandes,
01/03/2014

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